segunda-feira, 4 de junho de 2012

Tankian fala sobre sua prolífica carreira solo e o futuro do SOAD


Por Ryan J. Downey

O System of a Down está em turnê neste outono (com o Deftones abrindo) e compreensivelmente, muitas pessoas estão curiosas sobre quando a semi-nova força destruidora política reativada lançará música nova. Porém, dê uma olhada na programação de Serj Tankian. O falante, energético e bom caráter frontman tem nada menos que quatro novos álbuns em sua agenda para este ano: seu terceiro álbum solo rock, Harakiri, a ser lançado dia 10 de julho; um disco de jazz chamado Jazz-Iz-Christ; o projeto Fuktronic com Jimmy Urine do Mindless Self Indulgence, e uma sinfonia, Orca. Como ele possivelmente poderia fazer música nova com o System este ano? Tankian foi generoso o suficiente para passar um tempo com o AltPress.com no Skype, onde falou sinceramente sobre os inúmeros chapéus que ele usa como artista, o mundo dos negócios mutante (ele previu hologramas!) e mais.

A Wikipedia define você como “um cantor, letrista, compositor, multi-instrumentista, dramaturgo, produtor musical, poeta e ativista político armênio-americano nascido do Líbano, melhor conhecido como o vocalista principal, compositor, tecladista e guitarrista base ocasional da banda de rock System of a Down”. Como isso afeta você?
Serj Tankian:
“Dramaturgo” está errado. Eu compus para um musical mas quem escreveu a peça foi [o vencedor do Tony, o Oscar dos palcos] Steven Sater [risos]. Eu nunca vi esse trecho da Wikipedia, mas essa parte é interessante porque mostra como ultrapassamos tantas categorias que confunde nossos cérebros quando olhamos para isso numa página quando na verdade é muito simples. O que eu faço é uma coisa e é música, seja deste ou daquele jeito.

Quatro anos atrás você deu entrevistas dizendo que hologramas era o futuro das turnês. As pessoas riram de você. Agora, depois de Tupac no Coachella, é só o que estamos ouvindo. Você riu por último?
ST:
Sim e não. [O holograma do Tupac] foi a mesma tecnologia, mas a diferença é que aquela foi uma comunicação de via única. O que eu quis alcançar foi a “telepresença”: comunicação de via dupla, simultaneamente, sem atraso. Ainda estamos investigando isso, na verdade. Eu não estava no Coachella, mas ouvi fala que foi incrível, apesar de achar que algumas pessoas ficaram assustadas não apenas porque foi apresentada a imagem num tipo de truque de fotografia, mas também porque foi de alguém falecido. Fizeram isso com Frank Sinatra usando a mesma tecnologia, mas foi mais fingindo que alguém estava lá, com Tupac dizendo: “Coachella!” e tal. Esse é o aspecto assustador. Além disso, não se deve usar essa tecnologia ao ar livre porque é afetada pelo vento. É uma tela invisível num ângulo de 45 graus. Mas o Dr. Dre causou um grande impacto fazendo aquilo. Penso que foi uma ótima ideia.

Então tendo previsto corretamente o papel dos hologramas na música quatro anos atrás, poderia fazer alguma previsão agora?
ST:
Como dizem quanto ao tempo, não é difícil de prever que vai chover quando você vê os primeiros pingos de chuva chegando. Prevejo que todo nosso estilo de produtos – o que vemos com Spotify e Rhapsody, esse tipo de serviço, [será] tudo em um. Não vejo vendas de download durando. Acho que você faria a mesma previsão. Não sei se daqui a quatro ou oito anos, mas acho que o consumidor mais preguiçoso vence. Tenho Spotify no meu telefone, Bluetooth no meu carro – posso ouvir qualquer música, qualquer artista, a qualquer hora. Os Beatles não estão lá ainda, mas assim como no iTunes eles acabarão lá. Não tenho que baixar nada; pago por mês então não tenho que pagar por uso, não é necessário espaço para armazenamento. O consumidor mais preguiçoso vence! É até aqui que a tecnologia nos levou. Os menores atalhos que posso usar enquanto ouço o que quiser, onde quiser, em que dispositivo que quiser, é o que vai vencer.

Você está lançando quatro álbuns este ano. Você nunca dorme?
ST:
Adoro dormir pra caralho, cara! Dormi nove horas na noite passada. Precisava disso. Gosto de fazer muitas coisas ao mesmo tempo. Gosto de ler muitos livros de uma vez. Gosto de fazer muitos discos. Gosto de trabalhar em numerosos trabalhos de uma vez. Mantém minha mente saudável. Acho que focar em uma coisa por vez é bom também quando você tem que finalizar algo, mas quando você quer ser criativo, pular entre gêneros diferentes falando musicalmente ou lendo diferentes livros, isso provoca sua mente e joga de forma saudável, artística e criativa. Orca, a sinfonia que comecei a escrever três anos atrás, acabamos de finalizá-la neste ano. Comecei naquela época. Foi muito trabalho. Foi ótimo, é minha primeira sinfonia, toda orquestral – sem vocais. É uma combinação realmente boa da composição do começo do século XIX com composição de filme moderno e uma pitada de meu método louco de compor. O lance jazz, eu tinha todas essas faixas jazz que compilei durante anos, nas quais estava trabalhando. Sempre escrevo música, não para um projeto em particular, mas apenas para ter, sabe? Então estava saindo com um bom amigo que é pianista e eu disse: “Hey, vamos terminar um bocado de faixas jazz juntos e lançar”. Então juntamos alguns outros ótimos instrumentistas, um trompetista incrível do leste chamado Tom Dupree, com quem trabalhei no musical Prometheus Bound e outro amigo meu, um flautista da Suíça. Circulamos por todo o planeta, todos fizeram sua parte e nos enviaram. Chamei-o de Jazz-Iz-Christ para irritar puristas do jazz e a direita religiosa ao mesmo tempo.

Fundamentalistas de todo tipo são fáceis de provocar.
ST:
Eu remixei uma faixa de Charlie Parker/Miles Davis para a Savoy Records alguns anos atrás. Puristas do Jazz detonaram-na. Vindo de mundo do metal e do rock, falei tipo: “Por que estão desprezando isso?”. Estava lendo a biografia de Miles Davis na época, pensando: “Se esses caras estivessem vivos nos chamariam e diriam: “Uau! Isso é bem legal!”. Eles próprios estavam tentando fundir gêneros. Então é por isso que quero irritar essas pessoas.

Metaleiros puristas são uns dos piores arrogantes! Você ficou surpreso?
ST:
Isso é bem verdade! O que estou dizendo? Diferentes matizes de arrogância?[risos]

Dos quatro álbuns, por que lançar Harakiri primeiro?
ST:
Boa pergunta. Os outros precisam de mais reflexão porque não são muito os gêneros pelo qual sou conhecido. Requerem parcerias com outros selos, um bom selo de jazz e um bom selo de clássico, por exemplo. Fuktronic é um disco conceitual, a trilha sonora de um filme de gangster.
Temos esses animadores com quem estamos trabalhando e há até interesse de uma empresa high-tech interativa, de vídeo game que talvez queiram torná-lo um musical. Então vai levar mais tempo para distribuir e lançar corretamente. O disco de rock é meio que o pão e a manteiga, é o que fazemos, é pelo que sou conhecido. Na verdade ele veio a mim por si só, não consigo explicar, mas é tipo – é o disco mais rápido que já escrevi. A inspiração me veio tão forte e tão rápido que literalmente tive que focar, sentar e escrever. Não pretendia lançar um disco de rock este ano, não pretendia escrever um no ano passado. Mas quando todas essas espécies começaram a morrer, de pássaros a peixes pelo planeta – a primeira música que escrevi foi a faixa título. É baseada no sentimento nefasto de tentar entender o que são esses eventos pelo mundo. Como essas espécies poderiam, em massa, estar voluntariamente deixando esse lugar? Receberam um sinal da natureza? Outros animais são bem mais intuitivos do que os humanos; precisamos de sistemas de aviso precoce, mas neles isso é inerente, sabe? Por que eles partiriam? Isso me assombrava. Então, meu jeito de tentar entender isso foi escrever essa música. Abriu-me as comportas. As músicas simplesmente começaram a surgir. É o disco mais levado para o punk que já escrevi – pelo menos como artista solo. Surgiu rapidamente e aconteceu durante o ano que eu estava fazendo tantas coisas. Também estava em turnê com o System – correndo na esteira, fazendo caretas todos os dias. Essa parte provavelmente teve um papel no começo do disco também.

O que é mais empolgante para você no Harakiri em comparação aos seus primeiros dois discos?
ST:
Cada um deles é seu próprio monstro. Elect the Dead foi um disco rock progressivo que foi a primeira coisa que fiz pós-System. Imperfect Harmonies foi uma coisa completamente diferente – um disco de fusão orquestral, rock, eletrônico. Eu estava tentando colocar tudo numa caixa. Agora é mais algo tipo, peguei o mais extremo de cada um deles [com os quatro novos álbuns]. Harakiri é o disco que soa melhor. Mixei-o com meu amigo Dan Monti, que trabalha comigo. Há algo nesse disco que o faz realmente soar analógico. O som nesse disco é bem intenso, comparado a Elect the Dead e Imperfect Harmonies.

Eu seria o pior jornalista de todos se não perguntasse de seus pensamentos sobre política durante um ano eleitoral. Por acaso hoje é o dia em que Obama anunciou oficialmente seu apoio ao casamento gay.
ST:
Todos estamos esperando Obama dizer e fazer as coisas que ele disse que ia fazer. Ele fez muitas promessas, algumas disse que ia tentar executar, mas com algumas ele só está enrolando. O Genocídio Armênio é um deles. Ele é quem estava concorrendo e dizendo que culpava Bush e Condoleezza Rice por não usar a palavra “genocídio”, já que isso foi exatamente o que historicamente aconteceu. Depois que ele se tornou presidente, apesar de ser bem expressivo sobre o Remembrance Day (dia da lembrança em memórias dos que morreram na I Guerra Mundial) e escreve cartas à comunidade, ele não usou a palavra “genocídio” pelas mesmas razões [da administração Bush]. Ele não quer irritar o governo turco, uma vez que eles estão fazendo todo esse planejamento com a OTAN e por aí vai. Ele estava enrolando sobre a questão do casamento gay [antes]. Espero que ele venha e faça todas as outras coisas. Acho que ele é um ótimo presidente. Fez muitas coisas boas. Acho que nossas esperanças e aspirações foram mais do que ele podia corresponder em quatro anos. Ele tentou, mas tem um Congresso muito relutante e um partido republicano obstrucionista.

Você fez parte do documentário World Wide Rebel Tour, de Tom Morello. O que está acontecendo com o Axis of Justice?
ST:
Ainda estamos fazendo nosso programa de rádio na KPFK em Los Angeles, algumas estações da costa pacífica e a Sirius, além disso no site tem tudo. Não tivemos nenhum evento recente pois nós dois estamos ocupados com nossas coisas, mas quando coisas individuais surgem, nos as atacamos. Tom está envolvido com o movimento Occupy, o movimento trabalhista, diferentes sindicatos. Eu me envolvo nas questões do reconhecimento do genocídio e política externa. Nós dois fazemos nossas próprias coisas e o Axis torna-se aquele ponto organizador no meio para nós.

Haverá música nova do System em algum momento?
ST: Não acho que seja possível no futuro imediato, mas a opção está sempre lá. Acho que quando for a hora certa e quando todos tiverem tempo e quando todos sentirem que é a hora certa de se juntar e fazer música de novo, nós faremos. Então não é impossível de prever mas não é previsível no futuro imediato, baseado nos nossos compromissos. Mas tem sido demais estar em turnê com os caras. Subimos no palco e nos divertimos muito. Os shows ao vivo foram o melhor jeito de se reconectar porque são todos divertidos e empolgantes. Fomos para a América do Sul pela primeira vez. Nunca tínhamos estado lá e foi uma loucura! É uma jornada divertida fazer os shows com o System; faremos mais alguns em agosto, não fomos para a costa leste ainda, então faremos duas semanas lá em agosto e então voltarei ao solo, turnê e tudo o mais.







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