Só mesmo o Coachella Valley Music and Arts Festival para reunir em um só lugar, durante três dias, fãs de britpop, gente que passou a tarde dançando na grama e brincando com bolhas de sabão como se fossem crianças, a performance melancólica e sempre tocante do Radiohead, os DJs mais badalados do mundo, um show de rap sem precedentes e um dos grupos mais clássicos do punk rock. Leia abaixo como foi o primeiro fim de semana de Coachella, lembrando que no fim de semana que vem os artistas estão todos de volta no deserto da Califórnia para o repeteco, com três dias iguaizinhos.
Sexta
The Black Keys, Swedish House Mafia, Arctic Monkeys, Afrojack, Jimmy Cliff & Tim Armstrong, The Rapture, The Horrors, Frank Ocean, Yuck, foi tanto show bom no primeiro dia de Coachella. Até o clima, geralmente seco e desértico, com noites muito frias, cooperou, fornecendo uma noite fresca e úmida para que os fãs pudessem curtir melhor. Isso, claro, consequência de uma chuva intermitente que gelou o público durante o dia. Enfim, foi um primeiro dia de Coachella atípico.
Uma das coisas bacanas que aconteceram na sexta foi a reunião do Refused. Liderada pelo vocalista Dennis Lyxzen, o grupo sueco de hardcore originário de Umea teve três grandes momentos durante a performance: a execução de "Liberation Frequency", do disco The Shape of Punk to Come, "New Noise", do EP New Noise Theology, e "The Shape of Punk to Come". Outra reunião foi a do Mazzy Star, debaixo de garoa. O clima enevoado combinou com as canções românticas do grupo. Conforme já é comum nas perfomances ao vivo, Hope Sandoval optou por um palco escuro e ficou escondida, em relação a seus colegas de banda.
O trio de DJs Swedish House Mafia impressionou com um espetáculo visual que incluiu pirotecnia e telões de LCD gigantes, além das batidas contagiantes de "In My Mind" e "Save The World”. Durante uma hora, o Pulp agitou as pessoas com sua música e, antes do show, com frases provocativas que correram o palco, questionando se o público estava pronto para eles. Jarvis Cocker e companhia demonstraram uma veia teatral. "Disco 2000" e "Do You Remember the First Time" estiveram no setlist e a programação ainda contou com uma farta distribuição de doces e frutas para a plateia.
A estreia do Coachella 2012 também teve um show clássico. Todo paramentado de dourado, Jimmy Cliff tomou o palco principal no meio da tarde e encantou com seus principais sucessos: "You Can Get It If You Really Want", "The Harder They Come", "Many Rivers To Cross", além de ter incluindo algumas faixas do EP que lançou ano passado, Sacred Fire. O grande nome do reggae estava acompanhado por uma banda de dez integrantes, sendo um deles o guitarrista do Rancid Tim Armstrong, que produziu o supracitado EP. No mesmo palco, o Arctic Monkeys, que fechou com maestria o Lollapalooza Brasil no fim de semana anterior, repetiu a dose para os californianos. O cantor e guitarrista Alex Turner, com seus riffs nada convencionais, foi intenso. Ele mostrou ao público sucessos que dominaram as rádios, como "I Bet You Look Good on the Dance Floor" e a novata "Don't Sit Down Because I've Moved Your Chair", tendo angariado o primeiro grande público do dia.
A fúria anarquista dos alemães do Atari Teenage Riot, com suas batidas eletrônicas e samples, levantou todo mundo. O líder Alec Empire, curiosamente, estava usando uma camiseta preta com uma mensagem exigindo liberdade na internet. Mas um dos grandes momentos do dia foi mesmo o show do Black Keys, que retornou ao Coachella mais uma vez, mas desta vez na posição de uma das atrações de mais peso do line-up. A produção para esse show foi grande, com direito a gráficos coloridos aparecendo em telões gigantes em volta deles. Destaque para as faixas "Howlin' for You", apresentadas com músicos a mais assumindo o baixo e o órgão, e "Your Touch".
Sábado
Mal deu tempo de se recuperar do dia um e já era sábado, com direito a Radiohead. A performance do headliner foi épica, com direito a um segundo baterista que está na estrada com a banda, Clive Deamer. Foram quase duas horas de Deamer e Phil Selway reforçando as batidas do Radiohead, sendo que os guitarristas Jonny Greenwood e Ed O'Brien ajudaram na percussão em "There There". Um dos momentos mais bonitos foi com a bela "Karma Police", que Yorke dedicou para as pessoas que “querem alguma coisa de você”.
Outra grande atração foi o Bon Iver, que retornou ao Coachella agora com mais nome e público. Eles abriram com "Holocene" e conquistaram desde o princípio. O show foi grandioso, de acordo com o tamanho do evento, com cordas, metais, guitarras, tudo que tinha direito. "Skinny Love" foi outro grande momento da apresentação.
Faz uma década que o Oasis foi headliner do Coachella e no sábado Noel Gallagher retornou ao festival, no palco principal. Por uma hora, ele a nova banda, a High Flying Birds, mostraram a que vieram e que a grande diferença é que ele não divide mais o comando com o irmão/rival Liam. Mas, conforme já era sabido, o show dele conta com alguns hits de sua ex-banda, como "Don't Look Back in Anger".
O dia ainda teve o folk moderno e delicioso da talentosa Laura Marling, o rap ousado da ainda novata Azealia Banks, que fez a tenda toda balançar com "212", o barulho clássico do Buzzcocks, com o mais puro punk rock, o som indie/eletrônico do show de St. Vincent (ou Annie Clark) e muito mais.
No palco externo, vale destacar o astral do show de folk vívido de Andrew Bird, com os fãs dançando livremente pela grama e soltando bolhas de sabão.
Domingo
O momento mais emblemático do último dia de Coachella foi com Dr. Dre e Snoop Dogg, os headliners do dia, revivendo a era dourada do hip hop. O gangsta rap esteve mais do que bem representado no festival por essa dupla, que por uma hora e meia relembrarou como é o rap West Coast clássico. Dre andava afastado dos holofotes, ultimamente, atuando mais como produtor, mas fez a volta triunfal. E não foram somente os dois que dominaram o palco. Toda uma lista A de rappers se juntou a eles no palco em algum momento, sendo que Eminem (na faixa "Forgot About Dre.") e 50 Cent ("P.I.M.P.") foram as presenças mais marcantes. Até o falecido Tupac Shakur deu as caras por meio de uma holografia e fazendo um dueto com Dogg em "Come With Me" e "Gangsta Party".
A aguardada reunião do At the Drive-In, com seu hard rock caótico, superou as expectativas. A voz de Cedric Bixler-Zavala se mostrou ainda bem potente e o quinteto de El Paso relembrou canções como "Enfilade" e o hit "One Armed Scissor".
Antes do DJ Aviici fechar a tenda Sahara, Calvin Harris empolgou com um dance-pop de respeito. O escocês, que se tornou conhecido após ter produzido o disco de Rihanna Talk That Talk, recebeu a cantora como convidada e eles mostraram juntos ao público seu enorme sucesso "We Found Love", além de "Where Have You Been?".
Em sua primeira performance no Coachella em sete anos, o Hives chegou todo vestido de preto e branco com fraque e chapeu. Tocaram "Wait a Minute" e as antigas, mas amadas "Hate to Say I Told You So" e “Tick Tick Boom".
Como era de se esperar, o show da Florence + the Machine foi sucesso de público e inesquecível. "Never Let Me Go", cantada e tocada ao piano e harpa, foi um dos grandes momentos da apresentação. A performance terminou com "Shake It Out", que a vocalista Florence dedicou para todo mundo que se divertiu um monte o fim de semana todo e não se arrepende de nada.
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