quinta-feira, 22 de março de 2012

Max Cavalera revela que sente falta de BH e planeja show na cidade em agosto

A ansiedade tomou conta dos fãs na capital mineira assim que foi   anunciada turnê brasileira do Soulfly, banda comandada pelo ex-vocalista    do Sepultura Max Cavalera. Afinal de contas, Belo Horizonte espera a   volta de um de seus filhos mais ilustres desde 1994, quando o Sepultura   se apresentou com Ramones e Overdose em um hoje lendário show no Parque   da Gameleira.

Mas assim que Goiânia foi anunciada com  Rio de  Janeiro e São Paulo para receber os shows, que ocorreram no fim  de  fevereiro, ninguém ficou mais frustrado do que o próprio Max, que  não  pisa na cidade há quase 18 anos. “Não entendi o que houve. Não sou  eu  quem planeja, não sou promotor, fico na mão de quem contrata a banda e  escolhe isso. Mas, por mim, BH tinha que estar na turnê”, lamentou.

Esta   não foi a primeira vez que a cidade ficou de fora de uma turnê do    Soulfly. Em 1998, um show da banda, que havia sido recém-formada, foi    cancelado em cima da hora. “A turnê foi feita nas coxas e foi boicotada   pelo fã-clube do Sepultura. Acabou afetando o show em São Paulo e a os   promotores cancelaram BH”, recorda. A decisão da organização está   engasgada até hoje. “Foi uma sacanagem, isso me magoa muito até hoje,   porque estava ansioso para tocar em BH e ficou um sentimento ruim”,   dispara.

Mas uma nova chance para um reencontro pode estar a   caminho. Uma turnê com o Cavalera Conspiracy, banda que Max formou com o   irmão Iggor Cavalera assim que este saiu do Sepultura, está sendo   programada para o segundo semestre. “Tem uma excursão no Brasil sendo   negociada para agosto. Seriam 10 shows e Belo Horizonte está entre as   cidades. Vou ficar na torcida para rolar. Seria inesquecível”, revela o   vocalista. Além da capital, Porto Alegre, Manaus, Recife e Salvador   foram citadas por Max para receber o grupo.

Raízes  
O músico não esconde a saudade que sente da terra natal, de onde saiu   com o Sepultura para conquistar o mundo no início dos anos 1990. Para   contar a história de como um jovem metaleiro mineiro se tornou um dos   grandes nomes do metal mundial, Max Cavalera prepara uma autobiografia. O   livro, que está sendo produzido em parceria com o escritor John  McIver,  já tem até nome. A boy from Brazil (Um garoto do Brasil) deve ser  lançado até o Natal e vai contar com prefácio escrito por Dave Grohl, do  Foo Fighters.

O  processo de elaboração do livro acabou  obrigando Max Cavalera a  remexer no baú de memórias. Além do começo do  Sepultura, lugares e  pessoas de Belo Horizonte vão marcar presença nas  páginas do livro.  “Vai ter detalhes de como era a vida naquela época.  Quero contar do  Colégio Tiradentes, falar da praça do Santa Tereza, do  bairro, do Bar   do Bolão”, detalha. “Quero dar uma explicação legal de  onde vim, de  quais são as minhas origens. Quero entrevistar o pessoal da  Cogumelo,  quero pôr fotos da cidade para todo mundo poder ver como é um  lugar  muito bonito”, explica.

Histórias curiosas também terão   lugar no livro. “A gente sempre zoava muito. Morávamos do lado do   cruzamento onde nasceu o Clube da Esquina e chegou a sair uma matéria no   jornal contando que a gente vomitava nesta esquina”, se diverte. Para   ele, a cidade foi fundamental para o sucesso que viria. “Ser de Belo   Horizonte foi um diferencial. Era meio inesperado, ninguém imaginava que   ia vir uma banda de metal da cidade na época, isso pegou forte na cena  e  com certeza ajudou”, avalia, cheio de nostalgia.

Distância
A   saída do Sepultura, no fim de 1996, acabou distanciando Max Cavalera  de  Belo Horizonte. Hoje, ele lamenta saber pouco do que está ocorrendo  na  cena metal da cidade e se mostrou surpreso quando soube que bandas  dos  anos 1980, como Chakal e Witchhammer ainda estão na ativa.   “Infelizmente, não conheço mais nada. O último com quem conversei foi o   Jairo (Guedes, ex-guitarrista do Sepultura). Ele estava em turnê na   Europa e tocamos na mesma cidade. Ele foi me visitar no ônibus, nós   conversamos, foi legal”, lembra.

Contato de verdade, só com uma   tia, que ainda mora em Santa Tereza. “Eu e o Iggor nascemos em BH, mas   moramos em São Paulo até nosso pai morrer, quando éramos crianças. A   casa  em que ela mora hoje era da minha avó, foi o primeiro lugar que   morei depois que voltei. Ligo para ela todo ano, para saber como estão   as coisas, meus primos. Mas é a única pessoa daí com quem converso”,   explica.

Caso a turnê do Cavalera Conspiracy seja confirmada,   Max espera finalmente poder apresentar sua cidade natal para a família.   “Me deu muita saudade de BH quando estava fazendo o livro. Faz bastante   tempo que não visito a cidade, o Bairro Santa Tereza. Se a excursão se   confirmar, vou pedir um dia de folga para curtir a cidade”, garante.

O   roteiro já está pronto na cabeça do vocalista. “Quero mostrar tudo  para  os meus filhos. Santa Tereza, a praça, pegar um espaguete no  Bolão,  fazer o giro todo. Quero que eles vejam onde eu cresci, onde  tudo  começou”, detalha. Resta agora aos fãs torcerem para que o jejum  de  quase 18 anos seja mesmo quebrado em agosto.

CRÍTICA
Aula de história

Enslaved   é o oitavo disco do Soulfly, o primeiro gravado com o baixista Tony   Campos (Static-X, Asesino) e o baterista David Kinkade (Borknagar), que   entraram na banda em 2011.

E se desde 2005, quando lançou Dark  ages, a banda vem aumentando o peso e a agressividade, Enslaved   mostra o  auge desse esforço. Assumidamente inspirado no death metal  dos anos  1980, de bandas como Possessed e Morbid Angel, o álbum periga ser o mais  pesado de Max desde Arise (1991). Como o nome do  disco revela, a  escravidão é o tema central. O Soulfly dá uma aula de  história abordando  os vários  momentos que levaram a humanidade a  aprisionar seus  semelhantes.

Legions e Treachery, por exemplo, são puro thrash  metal, que poderiam estar tranquilamente em um disco do início dos anos  1990. Já a faixa Gladiator  é outro dos destaques. Agressiva, serve como  cartão de visitas para os novos membros e mostra toda a qualidade do  guitarrista Mark Rizzo.

Mesmo  cercado de excelentes músicos, é o  próprio Max o destaque do disco.  Aos 42 anos, ele não dá folga para a  garganta e mostra o seu melhor  trabalho como vocalista em muito tempo.

O  disco é um dos pontos  altos da carreira de Max como letrista.  Compositor minimalista e que  sempre aposta em rimas de efeito, desta vez  ele expande as letras das  músicas, com boas construções e sem fórmulas  repetidas.

A experimentação fica para Plata o plomo, que conta a  história do traficante colombiano Pablo Escobar, com letras em português  e espanhol. Já Revengeance,   que fecha o disco, foi escrita por Max em  companhia dos filhos Zyon, Igor e do enteado Richie. O legado dos  Cavalera está em boas mãos.




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