Foi numa tarde típicamente Londrina, com nevoeiro e muito frio, que encontrei Johan nos camarins do Islington Academy. Muito gentil e atencioso, ele fez as honras da casa oferecendo um chá para aquecer a nossa conversa.
AS: A banda teve um outro nome antes: “Come”, não é isso? Foi o começo?
Johan Hegg: Na verdade, originalmente, esta banda foi fundada pelo Olli, o nosso guitarrista, em 1988, com um grupo de amigos dele, mas eles acabaram em 1991. Nós reformulamos a banda, fizemos outras músicas, mudamos alguns integrantes e eles me colocaram para cantar oficialmente. Isso aconteceu em 1992. Por causa disso, resolvemos mudar também o nome da banda. Então mudamos para AMON AMARTH. Mas atualmente, nós nos chamamos de “Come” também (risos). Especialmente porque não tínhamos nenhum álbum, exceto a Demo, mas isso não conta realmente, e também somos uma banda nova.
AS: Tem uma coisa que eu gostaria de saber, sobre o tipo de som que vocês fazem. Algumas pessoas dizem que o Som é Death Metal, outras pessoas dizem Viking Metal?
Johan Hegg: Eu ouço falar muito que somos Viking Metal, mas acho que essa é uma das coisas que nossa gravadora fez, porque nunca nos intitulamos Viking Metal, até porque o que nós tocamos é Death Metal, mesmo sabendo que somos muito mais melódicos, que nosso som é Death Metal Melódico; (muito bom por sinal), para mim, Viking Metal me soa mais como Slayer. Na verdade é um termo inventado, nós não nos vemos assim.
AS: Então, vocês nunca se intitularam Viking Metal?
Johan Hegg: Na verdade, uma vez, nós anunciamos um show como Viking Death Metal.
AS: Na verdade eu vi, foi quando vocês tocaram no Underworld em Candem Town, eles te anunciaram como Viking Death Metal, não foi?
Johan Hegg: Exato, mas depois disso, nunca mais anunciamos isso. Não faz sentido para nós! Somos Death Metal!
AS: No CD“ With Oden On Our Side” tem um DIGIPACK EDITION, foi promocional ou para marcar um determinado ponto da banda?
Johan Hegg: Não, não, tivemos alguns diferentes edições. A primeira edição, veio em uma caixa plástica,que parecia mais uma bolha de sabão!Rs. Foi só uma edição especial gravada na Europa, e tem ainda a Digipack e a caixinha.
AS: Entendi, uma edição foi para o mercado Europeu e o outro para os E.U.A?
Johan Hegg: Exatamente, um para o mercado Europeu e outro que foi para América, e Canadá também.
AS: O nome AMON AMARTH vem da mitologia Escandinava, onde haviam muitas lutas, arenas e muitos símbolos. Isso influência a banda de alguma forma ou na música?
Johan Hegg: Não, o nome, nós pegamos do símbolo Escandinavo. Algo como o Grande fogo Escandinavo, certo? Mas o motivo real, é que achamos o nome muito legal e é um nome de família, que para mim tem importância também. Nós havíamos escolhido outro nome da mitologia Escandinava, mas já tem uma outra banda com o mesmo nome.
AS: É claro, que não posso deixar de perguntar, quando irão tocar na América do Sul, porque não sei se já te falaram, mas vocês têm um grande número de fãs por lá?
Johan Hegg: Tenho conhecimento sim, até uns dois anos atrás, fizemos uns shows no México. (Esqueceram de falar para ele que México não é na América do Sul), E a receptividade foi enorme, os shows estavam sempre cheios! Nós já pedimos ao nosso agente, para incluir a América Latina na nossa próxima turnê. Veremos quando será possível.
AS: Você conhece alguma banda de lá, do Brasil ou da América Latina?
Johan Hegg: É claro! Ratos do Porão, Sepultura….. Para falar a verdade, quando eu era adolescente, o primeiro disco do Sepultura que escutei foi Arise. Na verdade, é um dos meus álbuns favoritos! É estranho, que só tenho ele em vinil, rs. Tentei achar em cd, mas não consegui. Estou querendo passar para cd, mas sempre esqueço, porque eu sempre escuto os meus vinis.
AS: Mas eu adoro vinil, sempre escuto!
Johan Hegg: É mas acaba se tornando obsoleto,porque é pesado, tem dois lados…. mas nada melhor que o feeling de um bom vinil! Eu também gosto muito de blues, Rock, zz top, na verdade o antigo, os álbuns antigos , dos anos 70.rs. E se colocar o álbum e o cd, o som é bem puro.
AS: Minha última pergunta, do último álbum para este, existe algumas diferenças, vocês parecem star mais rápidos. Alguns fãs, não gostam, destes riffles, mas não acho que os fãs se incomodam com isso, pois ao mesmo tempo que vocês tocam mais rápido, existem pegadas mais lentas.
Johan Hegg: As críticas que recebemos deste cd, foram exatamente por tocarmos mais lentos ou por terem músicas de meio tom, mas o engraçado, é que ninguém reclamou de tocarmos rápido! Acho que antes, fazíamos um som mais para o lado sombrio, um tom abaixo, mas mesmo nos shows, os fãs puderam sentir a proposta das músicas e na verdade, elas eram rápidas. E a união disso tudo, a meu ver, fez com que ele se tornasse melhor.
André: Fez parte da evolução?
Johan Hegg: Sim.
AS: Desculpa, mas o meu ponto é : o som de vocês está caminhando para ser mais rápido?
Johan Hegg: Não, já fizemos músicas mais rápidas anteriormente. Se você ouvir as músicas: Crush, Versus the world, elas são bem rápidas também.
AS: Vejo um pouco do Sepultura também.
Johan Hegg: Exato. Talvez, os fãs não reconheçam antigos sons como tão rápidos como agora, mas a essência é a mesma.
AS: De alguma forma a gravadora influência nas decisões de vocês?
Johan Hegg: Eles nunca nos falaram o que devíamos ou não fazer. A única coisa que eles falaram, não á respeito das influências , também só disseram quando o CD já estava lançado, é que o diretor artístico disse que o álbum estava muito barulhento e o achou chato, mesmo concordando que têm músicas muito boas. Respeitamos a opinião dele, porque é um grande amigo nosso. Nós gostamos do CD, mas achamos que as pessoas têm o direito de expressar suas opiniões.
Queremos sempre procurar o melhor para compor, gostamos de manter o groove da música. O que posso dizer áqueles que acham que a nossa música está muito rápida é que não conhecem a fundo as músicas mais antigas. Está mais diversificada.
AS: Então podemos dizer que o som de vocês está mais diversificado?
Johan Hegg: É exatamente isso!
AS: Muito origado por nos conceder esta entrevista, tenho certeza que os fãs da América do Sul irão gostar.
Johan Hegg: Andre, foi um grande prazer recebe-lo e pode conversar com alguém do Brasil! É um grande prazer saber que somos tão esperados pelos fãs do Brasil! E prometo, nós vamos ao Brasil!
A promessa foi cumprida, e a banda se apresenta neste sábado em São Paulo, no Carioca Club. Este será um show imperdível, e você poderá conferir a resenha do evento aqui no nosso site.
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