Paul Brannigan é jornalista profissional há 18 anos e antigo editor da Kerrang!, uma das mais importantes revistas sobre música na Inglaterra. Atualmente, além de escrever para essa revista, ele também trabalha em outras duas importantes revistas no cenário musical: a inglesa Mojo e a Q Magazine.
Fã e amigo de Dave Grohl há mais de 15 anos, sentiu-se à vontade para reunir material e escrever uma biografia não autorizada, tal como outras 3 que existem no mercado. Mas esta aqui é a melhor. Sabe por que meu caro leitor? Esta aqui será lançada no Brasil em português, mas falaremos sobre isso mais tarde.
Paul acredita que daqui há uns vinte anos, o próprio Dave vá por no papel suas memórias, quando se aposentar da música, mas enquanto esse dia não chega, e esperamos que ele nunca pare de tocar, vamos conhecer um pouco sobre o processo que levou Paul a escrever esta biografia.
Acompanhem a entrevista exclusiva que Paul Brannigan deu ao Foo Fighters Brasil:
1-Quando você começou a acompanhar a carreira do Dave Grohl ?
Bem, como tantos outros fãs de música da minha geração, foi a introdução de Smells Like Teen Spirit, que em primeiro lugar chamou minha atenção ao Dave Grohl. Eu me lembro exatamente onde estava quando ouvi Smells Like Teen Spirit pela primeira vez – no meu quarto no dormitório na Universidade de Georgetown em Washington DC – e foi um momento de mudança de vida. Eu já estava ouvindo metal, punk e hardcore, mas o álbum Nevermind realmente injetou uma nova energia no cenário musical. A partir desse ponto, eu virei um fã do Nirvana e do seu contundente baterista.
2- Qual foi o motivo que o levou a escrever biografia sobre o Dave?
Eu fiz uma entrevista de 5 horas com Dave para matéria de capa sobre a retrospectiva da sua carreira na Mojo magazine em novembro de 2009, e previamente eu comprei duas de biografias do Dave para ajudar com a minha pesquisa. Depois da entrevista que eu percebi que eu tinha cerca de 50.000 palavras do Dave para o material encomendado, que exigia apenas 5.000 palavras no total, só então eu comecei a pensar como poderia usar isso como base para uma biografia mais íntima, além das que tinha recentemente lido.
3- Em 2009, você escreveu um livro sobre o Lemmy (Thinking Out Loud: The Wit & Wisdom of Lemmy). Quem te deu mais trabalho o Lemmy ou o Dave?
Bem, o livro sobre o Lemmy não é uma biografia, é apenas uma coleção de algumas das mais engraçadas, ultrajantes e divertidas citações do Lemmy. É um livro muito curto e não levou muito tempo para colocar tudo junto. Mas eu trabalhei no This Is A Call por 18 meses e entrevistei mais de 60 pessoas além do próprio Dave, assim sendo um projeto muito mais envolvente e cativante.
4- Além das entrevistas com o próprio Dave, onde mais você buscou material para o livro
Como eu disse, eu entrevistei um monte de gente para o livro, desde antigos companheiros das bandas antigas de Dave: Nameless, Mission Impossible, Dain Bramage e Scream, até os produtores como Steve Albini, Butch Vig e Gil Norton, e músicos como Josh Homme e Ian MacKaye. Eu também li muitos fanzines antigos, revistas e livros para ajudar com a pesquisa. Tudo isso ajudou a construir uma imagem do homem.
5 - O que foi mais dificil, recolher o material sobre o Dave ou marcar entrevistas entre um show e outro?
Gostei da pesquisa por trás do livro, mas é claro que se você quiser fazer um trabalho completo, você tem que trabalhar duro. Entrevistas são provavelmente mais divertidas do que ler artigos antigos, porém, porque você obtem impressões mais vivas.
6- Durante o tempo que você vem acompanhando o Dave, você presenciou algum momento emocionante entre ele e os fãs?
Eu testemunhei um monte de fãs se aproximando do Dave para autógrafos e fotos e terminavam conversando com ele por 10 ou 15 minutos. Então eu acho que essas reuniões são envolvidas sempre de forma emocional para os fãs. Dave é muito bom no tratamento de fãs, ele os trata como ele trataria velhos amigos e assim as pessoas tendem a não perder o bom senso em torno dele, ele faz com que todos se sintam à vontade para que esses encontros não ultrapassem a barreira do emocional.
7- É verdade que no começo, Dave não estava de acordo com esta biografia? Como você o convenceu?
Bem, eu não cheguei a convencê-lo diretamente. A assessoria de Dave disse-me que eles preferiam esperar até que Dave terminasse a sua carreira como músico antes de conduzir uma biografia oficial, autorizada, e eu entendo isso. Mas eu também sabia que 2011 seria um ano de marco histórico na vida do Dave, e então eu senti que era um momento oportuno para contar sua história na íntegra. Não é uma biografia autorizada de todo, mas espero que Dave confie em mim para contar a sua história de forma honesta e fiel.
8- Dave opinou sobre os assuntos abordados, aprovando ou reprovando algum?
Como eu disse, This Is A Call não é sobre a história da vida do Dave. É a minha forma de contar sua história. Assim, Dave não teve nenhuma opinião no processo criativo. Eu falei com Dave no verão de 2011 e ofereci enviar-lhe uma cópia do texto antes da publicação, para que ele pudesse editá-lo ao seu próprio gosto, mas Dave disse estar feliz por eu contar a história da minha maneira. Nenhum assunto foi proibido, mas eu quis contar uma história sobre um homem e seu amor pela música, não um livro de fofocas, malícias ou memórias de uma celebridade. Mas essa escolha foi minha, e não algo já discutido com o Dave.
9- É verdade que você o fez chorar em algumas das entrevistas? Poderia nos dizer o por quê?
Aconteceu apenas uma vez, durante essa entrevista para a revista Mojo mencionada anteriormente. Nós estávamos conversando sobre Nirvana e especificamente sobre o Kurt e ele ficou um pouco emocionado. Foi triste de ver, mas mostra como foi o amor de Dave verdadeiro para Kurt e ainda é, na verdade. Dave disse que tinha sido a segunda vez que ele tinha chorado em uma entrevista, e eu espero que isso nunca aconteça novamente com ele. Mas foi uma reação humana genuína para uma história triste e talvez evitável.
10- Sobre o encontro em 2005 no Crobar, conte-nos a engraçada cena do tapa.
Oh, bem, essa foi uma noite que Dave e eu estávamos bebendo juntos em um bar de Londres e tudo tomou um rumo um pouco bobo. Como todas as melhores noitadas, espontânea e sem planejamento, mas a combinação de Jäger, Jack Daniels, cerveja e uma jukebox explodindo hits do punk e metal a noite toda pode ser extremamente estimulante! A noite terminou com Dave organizando um mosh pit, “muro da morte”, no bar e nós acabamos dando um tapa um na cara do outro. É difícil de explicar estando sóbrio, mas faz todo o sentido quando você está bêbado!
11- O que o Dave achou do resultado final do livro?
Na verdade, nós não falamos sobre isso ainda. O Foo Fighters tem estado em turnê constantemente desde que o livro foi publicado e por isso, não quero incomodar o Dave sobre o livro, eu acho que nós vamos falar sobre isso quando ele tiver tempo para respirar novamente!
12- A quantidade de material recolhida por todos estes anos daria para escrever outro livro? Podemos esperar um “This is a 2nd Call”?
Bem, o projeto original do livro foi cerca de 15.000 palavras a mais do que a versão publicada, e poderia facilmente ter sido mais de 50.000 palavras. Mas há um risco de perder o foco do livro quando começa a estender-se para um livro maior, por isso é melhor uma história na sua forma mais curta, mais condensada. Mas não, não existe nenhuma sequência planejada, embora esperemos que eu possa atualizar algumas das informações para edições posteriores do livro.
13- Como você definiria o Dave?
Leal, engraçado, atencioso, humilde, encantador, determinado e extremamente talentoso. O cara é um ícone da música e um ser humano de primeirissima classe. No fundo, ele ainda é um adolescente punk rocker apaixonado, com três acordes e autêntico, e espero que ele nunca perca essa criança assim como o senso de admiração e reverência que inspira a melhor música.




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