Porto Alegre encaminhou-se ao final de uma das melhores temporadas de shows internacionais que já se viram por aqui. Em 2011 grandes nomes passaram pela capital gaúcha. Neste dia 9 de dezembro o Teatro do Bourbon Country recebeu Jon Anderson, a clássica voz do Yes – e o carisma em pessoa – para fechar o ano com um show de talento e competência.
Sozinho no palco, apenas com um violão. É assim que Jon Anderson passa maior parte do show.
O espetáculo tem início com Yours Is No Disgrace e Sweet Dreams, durante as quais já é possível identificar vários fanáticos nas cadeiras do Teatro, emocionados, acompanhando Anderson sílaba a sílaba.
Long Distance Runaround, do Yes, deu sequência ao show e deixou bastante clara a intenção do trabalho atual: o progressivo, os solos, os longos trechos instrumentais e a complexidade, ficam de lado em prol de algo mais intimista – o que se consegue por meio de versões mais breves das músicas que marcaram sua carreira (na sua maioria, músicas do Yes).
Antes de iniciar Starship Trooper, outra grande pérola do Yes, Jon ainda conta que aprendeu a tocar violão somente aos 25 anos e segue com a história de como a compôs: experimentando os desenhos dos acordes em diferentes pontos do instrumento.
Por falar em histórias, o show não se limita a boa música. Em frente a um microfone, Jon Anderson se revela, além de músico, uma espécie de humorista, que mesmo sem querer, com certa timidez, faz melhores piadas do que os artistas de stand up comedy que nosso país tem fabricado em série.
Entre tantos momentos relembrados por Jon, vale citar a noite em que cantou com Joe Cocker, nos anos 60′s, em um pequeno bar, sem ao menos saber quem era o “cantor com uma incrível voz de bluesman” e ainda a vinda ao Rock in Rio, à frente do Yes, em 85.
Outra história foi contada antes de I’ll Find My Way Home, composta em parceria com o mito Vangelis.
Jon relata que a canção, sucesso absoluto no Reino Unido, foi criada a pedido de uma gravadora, sob a condição de ser de fato um hit. Vangelis se opôs, mas foi convencido pelo parceiro. Jon afirma ainda que Vangelis repetia “I don’t want to be a popstar”, segundos antes de participar de um programa de TV.
O público, predominantemente formado por aqueles que já passavam dos quarenta, foi caloroso e receptivo. Jon com certeza se sentiu em casa, apesar de estranhar “um Natal sem neve”.
Em Flight Of The Moorglade e To The Runner, Jon utilizou um pequeno instrumento chinês, de cordas, com sonoridade próxima a de uma cítara. O cantor também passou alguns minutos ao piano elétrico, onde executou um medley com músicas como Set Sail, Close To The Edge e Marry Me Again.
Light Of Love contou com um coro integrado por todos na plateia, cantando “dum dum dum” nos refrões, sob o incentivo de Anderson.
Tony And Me, canção marcante e simpática, foi momento de mais histórias, com a própria letra tratando de sua infância ao lado do irmão.
I’ve Seen All Good People e Roundabout, dois clássicos do Yes, fecharam mais de uma hora de show, com uma salva de palmas e o agradecimento do músico, que retornou em seguida para mais três músicas – entre elas Wonderous Stories.
Uma hora e meia de boa música, executada por um dos ícones do rock progressivo que consagrou-se nos anos 70′s e ainda hoje atinge a perfeição através de sua voz.
Set list
Yours Is No Disgrace
Sweet Dreams
Long Distance Runaround
Time and a Word
Everyday Love
Under Heaven’s Door (Never Ever)
Find My Way Home
Starship Trooper
America
Owner of a Lonely Heart
Piano Medley (Set Sail, Close To The Edge, Heart Of The Sunrise, Set Sail Reprise, The Revealing Science Of God, Marry With Me Again)
Flight of the Moorglade / To the Runner
The Light Of Love
And You and I
Tony And Me
I’ve Seen All Good People
Roundabout
State Of Independence
Wonderous Stories
Soon

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