Inferno Club, SP/SP (19/11/2011)
Ultimamente tem se falado muito sobre o metal nacional, que por sinal, está mesmo decadente. A meu ver, esse quadro foi resultado de discos ruins, bandas que caíram na mesmice, falta de humildade e conhecimento da própria cena para compor um material digno de ser aceito. Ao mesmo tempo, algumas bandas underground vêm conquistando espaço merecido, com muito mais que 100 pagantes, fãs fiéis, além do reconhecimento enfiado goela abaixo de meios que antes davam as costas. Com quinze anos de carreira, o Bywar promoveu esta festa cheia de amigos para lançar o quarto álbum de estúdio Abduction. Muito respeitada no meio underground, esbanja agressividade e profissionalismo.
Com quase dez anos de carreira e uma hora de atraso, o Infected abriu a noite e acordou os presentes com um thrash metal calcado nos anos oitenta, influenciado por Exodus e outras bandas da Bay Area, com guitarras trabalhadas, duetos e cavalgadas ferozes. Possesion, Fight to Survive, Violent Reaction, Thrash Mosh Pit, e o cover da banda MX, Dirty Bitch fizeram parte do bom repertório, que foi muito bem recebido pelos presentes.
Logo após entrou Blasthrash que, infelizmente, por problemas técnicos, teve que diminuir o set. Abriram com Freedom Lies Dead, Violence Just for Fun e Assassin para esquentar e a pancadaria rolou solta com Possessed by Beer, VxSxF; encerrando então com Psychotic Minds. Diante do bom show e da receptividade do grupo no meio underground, pode-se afirmar que foi uma pena ter em tocado tão pouco. Claramente o publico não deixou de curtir um minuto. No máximo, ficaram “desapontados” pelo tempo minimizado.
Chutando bundas, o Anthares, que, para mim, é uma das melhores bandas nacionais (que desde 1985 traz ao público headbanger, seu thrash metal). Foi clássico atrás de clássico, tocaram Fúria, No Limite da Força, Sementes Perdidas, Paranóia Final. Com muitos cabelos sendo jogados, cabeças balançando, corpos voando em moshes o massacre continuava com Pesadelo Sulamericano, Vingança, Canibal, e o surpreendente cover de Ratos de Porão, Plano Furado. O set fechou com Batalhas Ocultas e Chacina. Não podendo deixar de lado, o destaque ao ótimo guitarrista Topperman, com solos criativos, agressivos e muito bem executados. Enfim, ficou a promessa para o ano que vem o lançamento de um novo álbum. Ficaremos na espera!
Em seguida chegou a vez do Bywar mostrar por que também é um dos grandes nomes do thrash metal nacional. Abriram com Poltergeist Time do novo disco, Near the Madness, Face the Impaler, The Twin of Icon, agitando todos os thrashers. A festa continuou com Broken Witchcraft, The ‘Hole’ Grail, Abduction, Enslaved by Dreams e Debt of War. Já fazia alguns anos desde a última vez que vi o show dessa banda e, na época eu já tinha ficado boquiaberto com o entrosamento como um todo. Dessa vez, não foi diferente. As músicas são muito bem tocadas, além de serem agressivas e rápidas.
O set continuou com Heretic Signs, Toward the Unreal, Stranded in Dark Zone, Ragnarök e The Last Life.
Quem disse que o público já tinha aceitado o fim do show? Todos pediam por mais e eles fecharam com Black Spirals of Death e Thrasher’s Return.
Contudo, vêm a pergunta: Quais as diferenças entre o Underground e Mainstream? Depois desse show fica óbvio que a única diferença é o dinheiro que cada banda tem para investir em propaganda e assessoria de imprensa. Eu só conheço essa “pseudo-elite” do metal nacional devido os investimentos que estes fazem, pois boa parcela do público underground, nunca compraria um CD de boa parte deles, ou as pessoas deveriam ir ao show de uma banda pelo fato desta ter dinheiro para investir numa boa produção para gravação, publicidade, ou ter um ex-integrante de banda famosa? Não estou dizendo que é errado investir em divulgação, muito pelo contrário. Divulgação é a alma do negócio, como dizem, mas acho uma pena muita banda underground não ter condições para investir em sua carreira, o que facilmente aniquilariam esses pseudos famosos da ‘elite metal’ do Brasil.

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